Dra. Claudia Del Claro

Tenho ceratocone! E agora?

Publicado em 10/06/2021

Recebeu o diagnóstico de ceratocone e agora está muito preocupado. Não tiro sua razão, descobrir que é portador de uma doença progressiva na córnea e que muitas vezes nem sabia que existia é no mínimo, assustador.

Mas acalma-se, eu não estou aqui para te assustar mais ainda, estou aqui para esclarecer quais são os tratamentos disponíveis para esta doença.

É extremamente necessário que você tenha estes conhecimentos para você entender melhor a orientação médica.

Entenda o que é o ceratocone.

A córnea é uma janela transparente que permite a entrada de luz no olho, seu formato natural é esférico. O ceratocone afeta suas fibras de colágeno progressivamente, deixando-a mais curva com um formato de cone e com um afinamento central ou paracentral.

Essa deformidade geralmente aparece na puberdade e pode progredir até a terceira ou quarta década de vida e faz com que ocorra uma baixa da acuidade visual.

O histórico familiar está presente em torno de 20 % dos casos, o que sugere que a doença tem origem genética.

Fatores ambientais, como coçar ou apertar os olhos e dormir com a mão embaixo do rosto causando pressão no olho são considerados fatores de riscos esta doença.

Esse comportamento fragiliza mais ainda as fibras de colágeno da córnea, causando a deformidade ou agravando um quadro já instalado.

Agora que você compreendeu melhor sobre sua condição, vamos à parte que acredito que mais lhe interessa, o tratamento.

Sempre que dou o diagnóstico de ceratocone para um paciente, a primeira pergunta até antes de saber o que é, é se tem cura, qual o tratamento, é se existe o risco de perder a visão.

Em casos avançados você pode ter um comprometimento acentuado da visão, mas cegueira não.

Antigamente o único tratamento para o ceratocone era o transplante de córnea.
Mas nos últimos 20 anos surgiram mudanças substanciais nas opções de tratamento.

O tratamento inicial é evitar a progressão da doença e restabelecer a visão. De acordo com os exames avaliaremos a possibilidade da realização do crosslinking, procedimento para estabilização do ceratocone.

Aplicamos uma substância fotoindutora, a riboflavina sob uma luz ultravioleta para fortalecer e enrijecer a córnea! Este sim, é um procedimento que estabiliza o ceratocone em mais de 90% dos casos, é um ótimo tratamento para prevenir a evolução da doença.

Infelizmente nem todos os casos são indicados, precisamos avaliar todos critérios cuidadosamente. Quer saber se você é um bom candidato? Acesse o link abaixo:

Além da estabilização, o tratamento tem como objetivo fornecer uma visão funcional ao paciente.

Se diagnosticado incialmente, é possível ter visão satisfatória com óculos ou até lentes de contato gelatinosas. Em casos mais avançados a adaptação das lentes rígidas corneanas é o mais indicado, pois sua curvatura regularizará o astigmatismo. Na maioria dos casos, o paciente alcança 100% de visão.

Para pacientes com ceratocones extremamente avançados, as lentes rígidas corneanas causam desconforto e não param sobre a córnea. Nesses casos dispomos das lente esclerais, as quais proporcionam excelente visão e conforto, pois ela não se apoiará sobre o “bico” do ceratocone e sim sobre a esclera.

O anel intra-estromal também é outra alternativa para regularizar a córnea.

O transplante de córnea hoje é o ultimo recurso. Pois com tantas técnicas disponíveis, este procedimento mais invasivo acaba sendo evitado.

Diante de tantas opções de tratamento não resta dúvida de que quanto antes diagnosticado, o tratamento será mais eficaz, e com excelente resultado.

Claudia Del Claro Médica Oftalmologista - CRM SC-10589

Formada em Medicina pela Universidade Federal do Paraná e residência em Oftalmologia no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

Médica Responsável pelo Setor de Lentes de Contato do Hospital de Olhos de Florianópolis.

Membro da ISCRS (International Society of Cataract and Refractive Surgery), da AAO (Academia Americana de Oftalmologia), do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) e da BRASCRS (Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa).